Introdução: O processamento industrial de açaí gera grandes volumes de resíduos e, embora tradicionalmente descartados, apresentam elevado potencial para aplicações tecnológicas alinhadas aos princípios da bioeconomia circular e das biorrefinarias. Nos últimos anos, avanços nas técnicas de caracterização e conversão da biomassa ampliaram significativamente as possibilidades de aproveitamento desses resíduos. Objetivo: Analisar a evolução tecnológica da valorização dos resíduos de E. oleracea, sintetizando as evidências experimentais sobre caracterização físico-química, compostos bioativos, tecnologias ambientais, biomateriais e processos de conversão biotecnológica e energética. Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura seguindo as recomendações PRISMA 2020. As buscas foram realizadas na base PubMed com os descritores resíduos agroindustriais, E. oleracea, biomassa, biochar, biomateriais, compostos bioativos e biorrefinarias. Incluíram-se estudos experimentais publicados entre 2022 e 2026 que abordaram a valorização tecnológica da biomassa residual. Os dados foram tratados por síntese narrativa com cinco eixos temáticos. Resultados: Doze estudos atenderam aos critérios de elegibilidade. Observou-se uma diversificação progressiva e crescente sofisticação analítica e tecnológica das rotas de valorização. Técnicas como FTIR, HRMS, HPLC-RID, RMN e DRX permitiram caracterizar compostos fenólicos, fibras lignocelulósicas, mananas cristalinas e oligossacarídeos bioativos, subsidiando o desenvolvimento de antioxidantes naturais, prebióticos, biochar, nanoadsorventes, materiais biodegradáveis e processos de conversão para bioenergia. Os resíduos ainda constituem integração entre química analítica, ciência dos materiais, nanotecnologia, biotecnologia e engenharia de processos, ampliando as perspectivas de aproveitamento integral da biomassa. Conclusões: Os resíduos constituem uma plataforma renovável e multifuncional para obtenção de ingredientes, biomateriais, tecnologias ambientais e bioenergia. Os resultados evidenciam o crescimento de abordagens compatíveis com a lógica da biorrefinaria, reforçando seu papel estratégico na bioeconomia circular. Contudo, a consolidação industrial dessas tecnologias ainda depende da padronização da matéria-prima, integração das rotas de conversão, validação em escala piloto, análises técnico-econômicas e estudos de ciclo de vida.