O presente trabalho apresenta a abordagem e os conceitos relativos às temáticas da geodivesidade e patrimônio geológico, adotados no Curso de Capacitação em Geociências para Professores do Ensino Fundamental e Médio da rede pública do Estado da Bahia, que abordou cinco linhas temáticas. O curso foi realizado por meio de convênio firmado entre a Sociedade Brasileira de Geologia - SBG, o 47º Congresso Brasileiro de Geologia – 47º CBG e a Secretaria de Educação e Cultura do Estado da Bahia, por meio do Instituto Anísio Teixeira IAT, tendo atingido diretamente cerca de 350 professores. Dentre os resultados obtidos, o curso contribuiu para a aproximação entre a academia e a comunidade, popularização das Geociências, o fomento da prática de identificação dos locais de interesse geológico no território nacional e conservação do patrimônio geológico brasileiro.
A produção de cobre figura entre as mais importantes do mercado mineral do Brasil, tendo resultado na terceira maior arrecadação do setor nos últimos anos. Ainda assim, o país apresenta um balanço negativo para esta commodity, com importações superando os valores exportados. As províncias cupríferas com múltiplos depósitos atualmente em produção, Carajás (Pará) e Vale do Curaçá (Bahia), estão associadas a terrenos cratônicos e sistemas hidrotermais do tipo IOCG. Neste sentido, o presente estudo objetiva analisar aspectos relativos às controvérsias em torno da descoberta do cobre na Bahia e no Brasil, de modo a contribuir com o conhecimento econômico e histórico-geológico sobre a produção deste metal a nível nacional. O histórico da produção do cobre no Brasil remonta à segunda metade do século XIX. O primeiro relato de cobre em terras brasileiras se deu em 1782, com notícias sobre um bloco de cobre, supostamente nativo, que teria sido encontrado na cidade de Cachoeira, na Bahia. A história deste artefato, que se encontra em museu de Lisboa, é pouco conhecida no Brasil e suscita debates sobre a primeira descrição de minerais cupríferos no país. O conhecimento geológico atual corrobora com hipóteses históricas que questionam a veracidade dos relatos sobre o achamento do bloco. Deste modo, o primeiro relato de minerais de cobre no país que coaduna com as informações geológicas atuais é atribuído ao depósito de Pedra Verde (Ceará), em 1833, feito pelo Barão de Eschwege. Entretanto, não é possível estimar a data precisa do descobrimento deste depósito. A data da descoberta do metal na Bahia ainda é imprecisa, visto que ocorrências do Vale do Curaçá foram documentadas em 1874, ao passo que uma notícia de jornal de 1872 faz menção a minerais cupríferos neste estado.