Resumo O objetivo deste artigo é analisar a prevalência de polifarmácia e de polifarmácia excessiva, bem como seus fatores associados, entre idosos atendidos em duas Unidades Básicas de Saúde de Belo Horizonte-MG. Foi conduzido um estudo observacional transversal, realizado por meio de informações resultantes de uma entrevista estruturada ao paciente. Foram analisadas as associações individuais de cada variável explicativa com a polifarmácia e polifarmácia excessiva. Para as variáveis que apresentaram associação significativa com polifarmácia, foi realizada análise multivariada por meio do modelo de regressão logística. Os idosos utilizavam, em média, 5,2 fármacos. A prevalência de polifarmácia foi de 57,7% e de polifarmácia excessiva foi de 4,8%. Na análise univariada, mostraram-se associadas à polifarmácia as condições idade ≤ 70 anos, escolaridade > 8 anos, presença de mais de três doenças e presença de sintomas de depressão. Para polifarmácia excessiva, mostraram-se associadas as condições presença de mais de três doenças, autopercepção da saúde negativa e dependência parcial nas atividades instrumentais de vida diária. No modelo multivariado final para polifarmácia, permaneceram as variáveis idade ≤ 70 anos e presença de mais de três doenças.
1 January 2019 in Revista Brasileira de Epidemiologia
Introduction: High level of HIV/AIDS knowledge is required for an effective adoption of preventive strategies. Objective: To assess HIV/AIDS knowledge among men who have sex with men (MSM) in 12 Brazilian cities. Methods: Respondent-Driven Sampling method was used for recruitment. HIV/AIDS knowledge was assessed by Item Response Theory. Difficulty and discrimination parameters were estimated, and the knowledge score was categorized in three levels: high, medium, and low. Logistic regression was used for analysis. Results: Among 4,176 MSM, the proportion of high level of knowledge was 23.7%. The following variables were positively associated with high knowledge (p < 0.05): age 25+ years old, 12+ years of schooling, white skin color, having health insurance, having suffered discrimination due to sexual orientation, having had a syphilis test, and having received educational material in the previous 12 months. Exchanging sex for money was negatively associated. Conclusions: The proportion of only 23.7% of high HIV/AIDS knowledge was low. We should note that the only potential source of knowledge acquisition associated with high level of knowledge was receiving educational materials. Our study indicates the need for expansion of public prevention policies focused on MSM and with more effective communication strategies, including the development of knowledge that involves motivation and abilities for a safer behavior.
To evaluate the safety of regimens containing calcineurin inhibitors (CNI), proliferation signal inhibitors (TOR-I) and antimetabolites, we conducted a meta-analysis of randomized clinical trials (RCTs) and observational studies. A total of 4,960 citations were identified in our electronic search and 14 additional articles were identified through hand searching. Forty-eight articles (11,432 participants) from 42 studies (38 RCTs and four cohorts) met the inclusion criteria. Meta-analysis results revealed the following: (i) tacrolimus was associated with an increased risk for diabetes and lower risk of dyslipidemia, compared to cyclosporine; (ii) mycophenolate mofetil (MMF) was associated with increased risk for total infections, abdominal pain, diarrhea and vomiting, compared with azathioprine; (iii) sirolimus was associated with higher risk of anemia, diabetes, dyslipidemia, lymphoceles and withdrawal compared to tacrolimus or cyclosporine, and cyclosporine was associated with an increased risk of CMV infection; (iv) the combination of CNI with antimetabolites was associated with more adverse events than CNI alone; (v) TOR-I was related to more adverse events than MMF. The data observed in this meta-analysis are similar to those describe by others authors; thus, the choice of treatment must be made by the clinical staff based on specific patient characteristics.
O Programa Bolsa Família (PBF) é de transferência condicionada de renda, sendo a principal estratégia do Brasil para o combate à pobreza extrema, à fome e à desigualdade social. As condicionalidades na educação propiciam as condições de escolarização para os beneficiários. O objetivo do estudo foi realizar uma revisão sistemática para avaliar os desfechos (efeitos e impactos) do Programa Bolsa Família em indicadores educacionais entre os beneficiários. Foram consultadas as bases Medline, Lilacs, EBSCO, Econstor, Science Direct e Web of Knowledge. A qualidade metodológica dos artigos incluídos foi avaliada por meio de escores da escala de Downs & Black. Foram identificados 2.391 estudos e selecionados 12. Houve evidências de que o PBF tem desfechos positivos em indicadores educacionais para o sexo feminino e para a Região Norte. Como resultados, demostrou-se que o PBF não tem repercussão na proficiência e no desempenho escolar, mas impacta significativamente nas taxas de abandono e na frequência escolar.
Knowledge about HIV transmission and prevention is a necessary step for adopting preventive behaviors. We assessed HIV knowledge and its correlation with the perceived accuracy of the “Undetectable = Untransmittable” (U=U) slogan in an online sample with 401 adult Brazilians. Overall, 28% of participants showed high HIV knowledge level. The perceived accuracy of the U=U slogan significantly correlated with HIV knowledge. Younger participants, those reporting lower income or lower education, or who had never tested for HIV showed poorer HIV knowledge. Filling gaps of knowledge among specific populations is urgent in order to increase preventive behaviors and decrease HIV stigma.
OBJETIVO: Avaliar longitudinalmente a alteração da qualidade de vida em pessoas que vivem com HIV iniciando a terapia antirretroviral, atendidas em três serviços públicos de referência na assistência especializada ao HIV em Belo Horizonte. MÉTODOS: Estudo de coorte prospectivo, com o acompanhamento de pessoas que vivem com HIV, com 18 anos de idade ou mais, e iniciando terapia antirretroviral. Dados sociodemográficos, comportamentais, clínicos, relacionados ao tratamento farmacológico e ao serviço foram obtidos por entrevistas, complementados com informações dos prontuários clínicos e dos sistemas de informação do Programa Brasileiro de HIV/AIDS. A qualidade de vida foi avaliada utilizando o instrumento WHOQOLHIV-bref, por meio de entrevista face a face, com intervalo mínimo de seis meses entre as entrevistas. A alteração média na qualidade de vida entre as duas entrevistas foi avaliada utilizando o teste t pareado. Os fatores associados foram avaliados por meio de regressão linear múltipla. RESULTADOS: A qualidade de vida global, assim como a qualidade de vida nos domínios físico, psicológico, nível de independência, ambiente e espiritual foram estatisticamente melhores em pessoas que vivem com HIV usando terapia antirretroviral no final do tempo de acompanhamento. Fatores independentemente associados ao incremento na qualidade de vida foram possuir crença religiosa e morar com outras pessoas. Enquanto ter sinais ou sintomas de ansiedade e depressão e o número de reações adversas a medicamentos reportadas foram preditores associados à piora da qualidade de vida. CONCLUSÕES: Os resultados evidenciam melhora na qualidade de vida em pessoas vivendo com HIV iniciando a terapia antirretroviral ao longo do tempo. Evidenciam ainda a necessidade de se acompanhar e prover cuidados de saúde, em especial para indivíduos com sinais e sintomas de ansiedade e depressão e que relatam reações adversas a medicamentos no início do tratamento.