O objetivo deste estudo foi analisar a dinâmica da cobertura vegetal do município de Nova Ipixuna-PA entre os anos de 1990 e 2022 através do processamento digital de imagens de satélite utilizando a plataforma Google Earth Engine (GEE). Para a realização da pesquisa foi feito o cálculo do Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) dentro do GEE, por meio de programação utilizando a linguagem JavaScript. Foram utilizadas imagens do satélite Landsat-5/TM e Landsat-9/OLI-TIRS. Os resultados mostraram uma perda drástica na cobertura vegetal no período em estudo que foi convertida em outros tipos de uso com destaque para a pecuária. Por fim, a plataforma do GEE em conjunto com o NDVI são importantes ferramentas para o monitoramento e fiscalização ambiental, pois permitem verificar as atuais situações dos territórios.
O estudo objetivou compreender a origem e a dinâmica dos padrões de áreas queimadas no território da APA Triunfo do Xingu (PA), através da espacialização dos focos de calor entre os anos de 2015 a 2020. Nesta análise foram utilizados os dados de queimadas e na análise do desmatamento utilizou-se os dados do programa “Prodes”, ambos do INPE. Foram utilizados também dados de áreas que sofreram embargos ambientais capturados através do IBAMA, e o número do rebanho bovino e quantidade de extração vegetal em metros cúbicos do IBGE. Observou-se um grave aumento de focos de queimadas em 2019 e 2020, concentrando 85% do total desses focos no período estudado, demonstrando um descontrole das queimadas e das pressões sofridas no território. Verificou-se que os polígonos dos desmatamentos na APA, ocupam os mesmos espaços geográficos, onde houve o maior registro de queimadas e de embargos ambientais. Revelando a imparcialidade nas atividades, exercidas com o uso predatório e indiscriminado dos recursos naturais da UC. Essas pressões sofridas estão associadas principalmente à pecuária extensiva, economia primária e local dos municípios que abrigam esta unidade. Por estar em área de fronteira entre os dois maiores produtores de pecuária da Amazônia, esta UC tem sido notável barreira de pressões antrópicas como desmatamento, queimadas e disputas de terras entre agricultores e fazendeiros de todos os tamanhos.
O enfoque sistêmico tem sido aplicado em diversas ações de pesquisa, ensino e extensão rural, para compreensão de realidades agrárias complexas e em resposta às crescentes críticas relacionadas aos projetos agrícolas reducionistas e disciplinares direcionados aos agricultores familiares. Assim, este estudo teve por objetivo caracterizar uma Unidade de Produção Agrícola Familiar (UPA), no sudeste do Pará, Amazônia Brasileira, analisando o uso do solo e as relações de trabalho existentes no estabelecimento agrícola com abordagem sistêmica. A metodologia foi quanti-qualitativa, sendo as informações coletadas com ferramentas participativas e as coordenadas geográficas da UPA obtidos com GPS. A partir dos resultados obtidos pode-se caracterizar os sistemas de produção desenvolvidos na UPA. Com relação ao uso do solo na propriedade, 75,72% são áreas de florestas, 22,25% de gramíneas e 2,03% de corpos d’água provenientes de rios e represas. Existe uma divisão de trabalho no estabelecimento, onde cada componente familiar se organiza de acordo com as necessidades exigidas na manutenção das áreas produtivas. As discussões evidenciam a importância do estágio de campo na formação dos estudantes, sobretudo, no processo de compreensão e reflexão crítica das realidades agrárias encontradas na Amazônia Paraense e dos seus sistemas produtivos agropecuários, ambiente de trabalho possível de ser ocupado pelos estudantes e futuros profissionais das ciências agrárias.
O objetivo deste trabalho foi fazer uma análise espaço-temporal dos focos de queimadas no município de Novo Repartimento (PA) nos anos de 2018, 2019 e 2020, cruzando essas informações com produtos do Cadastro Ambiental Rural (CAR), para subsidiar a discussão da origem desses incêndios e das principais práticas ocorridas nas Áreas de Reserva Legal (RL) e Áreas de Preservação Permanente (APP). Para isso, utilizou-se dados vetoriais do município e de estabelecimentos rurais no IBGE, SICAR e INCRA. Os focos de calor foram obtidos por meio do banco de dados de queimadas BDQueimadas/INPE. Após a obtenção desses dados, estes foram gerenciados em ambiente de Sistema de Informação Geográfica (SIG), especificamente no software QGIS 3.26, onde os focos de calor foram espacializados sob os limites territoriais e realizadas as análises de estatística de Kernel para geração dos mapas temáticos. Como resultado, foi verificada a prática irregular com o registro de focos de incêndios em áreas salvaguardadas pela Lei no 12.651/2012. Observou-se, ainda, a forte concentração de incêndios em áreas de Assentamentos Rurais e de Unidades de Conservações (UC). Essa expansão dos incêndios florestais em Novo Repartimento, está associada a diferentes fatores econômicos e políticos na região, que têm favorecido o uso indiscriminado dos recursos naturais do município. Palavras-chave: Cadastro Ambiental Rural; Monitoramento Ambiental; Geoprocessamento
Os projetos de assentamentos de reforma agrária da Amazônia Legal têm sido recentemente foco de discussão quanto à sua participação no processo de desmatamento e modificações da paisagem dos biomas brasileiros. Nesse contexto, este trabalho objetivou avaliar a dinâmica do uso e cobertura da terra no Projeto de Assentamento São Sebastião do Xingu, município de São Félix do Xingu (PA), entre os anos de 2000 a 2020, identificando os principais processos socioeconômicos que induziram a perda da cobertura florestal. Para tanto, foram utilizados dados de sensoriamento remoto manejados em ambiente de Sistemas de Informações Geográficas para o processamento e geração dos dados. Os resultados mostraram uma expansão do desmatamento no assentamento, que perdeu 6.236,55 hectares de vegetação nativa. Essa taxa representa cerca de 54,30% de floresta perdida e convertida em outros usos, como as atividades agropecuárias, que representaram, no ano de 2020, 56,33% do total da área de estudo. Assim, é de extrema importância a consolidação de políticas públicas compatíveis com a realidade de cada assentamento, bem como a criação, disseminação e acesso a meios para a inserção de sistemas agrícolas com produções mais sustentáveis. Por fim, para este caso, os sistemas silvipastoris são uma opção, pois permitem o consórcio entre espécies florestais, frutíferas, criação de animais e produção de pastagem em uma mesma área, contribuindo para que os agricultores tenham uma diversificação de produtos agrícolas e ainda auxiliem na recuperação de áreas degradadas e proteção do meio ambiente.