Resumo Com o objetivo de estimar a prevalência de antígenos e anticorpos anti-SARS-CoV-2 em pessoas privadas de liberdade, realizou-se inquérito sorológico de base institucional em sete unidades prisionais de quatro municípios do estado do Piauí, em abril-outubro/2022. Adotou-se amostragem probabilística por conglomerado. Realizaram-se entrevistas, testes rápidos e exames sorológicos para detecção de antígenos e anticorpos anti-SARS-CoV-2. Calcularam-se prevalências, associações estatísticas por teste qui-quadrado e razões de prevalência por meio de regressão de Poisson. Dentre os 848 participantes, a prevalência de antígenos foi de 1,1%. A prevalência de anticorpos anti-SARS-CoV-2 variou de 6,5% (IgM-S) a 98,9% (IgG-S). Não foram identificadas diferenças da prevalência de antígenos. A prevalência de anticorpos IgG-N e IgG-S foi maior entre os detentos de Teresina (RP=1,41; IC95%: 1,08-1,46; RP=1,03; IC95%: 1,01-1,05). Ter recebido ao menos duas doses de vacina contra COVID-19 aumentou a soropositividade de anticorpos (IgM-S RP=2,08; IC95%: 1,01-4,29; IgG-N RP=1,26: IC95%: 1,08-1,46; IgG-S RP=1,02; IC95%: 1,01-1,04). Esses dados reforçam o impacto positivo da vacinação e outras medidas de controle adotadas na população encarcerada durante a pandemia de COVID-19.