A inflamação é um mecanismo de proteção natural no qual o organismo designa atividades do sistema imunológico para combater infecções, eliminar moléculas tóxicas ou recuperar-se de lesões. No entanto, quando exacerbada, torna-se uma condição clínica na qual o sistema imune, através de citocinas e quimiocinas, contribui para a formação de espécies reativas de oxigênio que, por sua vez, agravam ou desencadeiam danos teciduais irreversíveis, contribuindo para o desenvolvimento de doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Embora haja muitas medicações para o tratamento destas comorbidades, sendo grande parte sintéticas, estes fármacos geram diversas reações adversas, seja por sua biodisponibilidade, interações medicamentosas, metabolismo ou excreção. Nesse contexto, vem-se estudando cada vez mais a biodiversidade dos produtos naturais para a otimização do tratamento de condições clínicas. Com base neste princípio e devido à sua diversidade estrutural, diferentes tipos de flavonoides são continuamente estudados para avaliar propriedades farmacológicas como ações antioxidantes, atividades anti-inflamatórias, antidiabéticas e anti-hipertensivas. Pertencente à classe dos flavonoides, a naringenina se destaca por estas ações; no entanto, pouco se sabe sobre sua forma glicosilada e, devido à sua conformação estrutural, este flavonoide possui baixa biodisponibilidade no organismo. Assim, a complexação com β-ciclodextrinas é um dos métodos utilizados para melhorar a solubilidade da naringenina. Com o intuito de reunir informações sobre as propriedades farmacológicas supracitadas, este trabalho realizou uma revisão sobre a naringenina e seus efeitos na hipertensão e no diabetes.