Baseado no contexto brasileiro no qual a maior autoridade do país tem negado as evidências da gravidade da pandemia, este artigo analisa a comunicação de riscos (CR) da Covid-19 desenvolvida pelo próprio governo federal. Criamos quatro variáveis de CR: transparência, riscos, adequação e temporalidade para analisar o conteúdo do corpus de 24 peças que fizeram parte das campanhas de comunicação do Ministério da Saúde, entre março e setembro de 2020. Os resultados apontam o predomínio da comunicação institucional, quase 50% das peças foram para divulgar o governo, em detrimento de ações que poderiam alertar a população sobre os riscos do novo coronavírus.
2 August 2024 in The International Journal of Information, Diversity, & Inclusion (IJIDI)
This work discusses the relationship between digital disconnection and the violation of rights in Quilombola territories. Quilombolas are an ethnic-racial group with Black origins associated with oppression and resistance over the centuries in Brazil. The research was conducted with 41 women aged between 18 and 73 who are leaders in 35 remaining Quilombola communities in Minas Gerais, Brazil. The impacts of limited access to information and communications technology (ICT) were assessed using an intersectional perspective, considering social markers of difference such as gender, social class, ethnic-racial belonging, and territory. The results show that 11 territories lack internet service, significantly restricting access to information, health, education, and social participation. The research points to the need for considering digital inequity as another matrix of intersectional oppression, as being disconnected or having restrictions on access and use of ICT increases the vulnerability of these territories, especially for the Quilombola women.
Resumo Mulheres rurais são consideradas recurso um de cura por encaminharem os problemas de saúde da família e comunidade, mas, por outro lado, acabam sendo negligenciadas do cuidado. Baseado na experiência das mulheres nos territórios rurais, este estudo adota a perspectiva interseccional para entender a relação dos marcadores sociais da diferença e a vulnerabilidade em saúde das mulheres rurais da Zona da Mata de Minas Gerais. Foram entrevistadas 20 mulheres, entre 18 e 73 anos, em 2022. Os dados produzidos foram analisados qualitativamente e categorizados pela metodologia de análise de conteúdo. A pesquisa evidencia a falta de equidade quanto ao acesso à saúde no meio rural, incluindo a pouca adequação do saneamento básico, e a necessidade da abordagem interseccional para análises em saúde coletiva.
Em meio a pandemia do novo coronavirus, muitas ações do governo federal brasileiro têm contribuído para gerar desinformação e agravar a crise sanitária. O presente artigo busca compreender como os perfis no Twitter do Ministério da Saúde e do presidente da República Jair Bolsonaro foram utilizados para propagar notícias sem evidência científica, sobretudo em relação ao tratamento precoce da Covid-19. Adota-se como metodologia a análise de conteúdo da Public Timeline desses perfis, entre março/2020 e março/2021. O estudo do corpus de 106 tweets aponta que as referidas contas se ancoram para criar um viés de confirmação ao disseminar a desinformação. Houve ocorrência de 32% e 67% de desinformação nas publicações encontradas, respectivamente, nos perfis @jairbolsonaro e @minsaúde.
Quilombolas are those community members that have remained on the land of quilombos or the land in which maroon communities lived. Quilombolas constitute a Black ethnic-racial group historically linked to resistance against oppression since the period of enslavement. This resistance, especially as exercised by women remains in contemporary Brazilian society. Despite facing adverse socioeconomic conditions, racism, gender oppression, and class inequality, many quilombola women take on the challenge of community leadership. This article analyzes the role of women leaders in quilombola territories in Minas Gerais, Brazil. The research includes data collected from 41 leaders and 16 in-depth interviews conducted with them. We argue the importance of Black women’s leadership in popular mobilization and in everyday acts of resistance such as collective care. In the case of Quilombola women, the main finding reveals that ancestry is a central motivating factor for exercising leadership and that inspiration comes from mothers, grandmothers, aunts, and other women in the community. Leadership is hard work, but in this context is a response to injustice and is an act of collective care aimed at preserving community life.