A Olea europaea L., conhecida como oliveira, pertence à família Oleaceae e é a única espécie dessa família que produz frutos comestíveis, as azeitonas. O azeite de oliva, extraído desses frutos, é amplamente utilizado desde a antiguidade devido às suas propriedades antioxidantes, hidratantes e calmantes, destacando-se como um ingrediente promissor nas indústrias cosmética e terapêutica. Entretanto, a incorporação e a absorção cutânea de seus compostos antioxidantes representam um desafio, uma vez que muitos deles são lipofílicos, instáveis e suscetíveis à degradação por luz e oxigênio, o que limita seu uso em formulações tópicas. Para contornar tais limitações, pesquisas e indústrias têm investido em no desenvolvimento de nanocarreadores lipídicos, capazes de aumentar a solubilidade, estabilidade e a biodisponibilidade dos compostos bioativos, além de protegê-los contra hidrólise e oxidação. Este estudo teve como objetivo preparar uma manteiga contento azeite de oliva e incorporá-la, juntamente com o próprio azeite, em nanocarreadores lipídicos. Foram realizadas análises de estabilidade, biocompatibilidade e atividade antimicrobiana dos sistemas obtidos, além da caracterização fenólica e avaliação do potencial antioxidante do azeite na sua forma livre. Os resultados demonstraram que o azeite apresentou alta concentração de compostos fenólicos, com expressivo potencial terapêutico. Tanto a manteiga quanto os nanocarreadores desenvolvidos demostraram ser estáveis e seguros, sem causar mortalidade ou dano celular, embora os nanocarreadores não tenham exibido atividade antimicrobiana frente às cepas testadas. Conclui-se que a associação entre azeite e manteiga de oliva em nanocarreadores lipídicos é promissora para aplicações cosméticas e terapêuticas, oferecendo estabilidade, segurança e potencial funcional no cuidado e proteção da pele.