Este ensaio buscou debater a relevância das mídias e das plataformas digitais como ferramentas para o desenvolvimento e gestão de ações de Educação Permanente em Saúde. Defende-se que as mídias sociais e as plataformas digitais são uma chave para a gestão da educação e do trabalho em saúde se (e somente se) considerados e respeitados os usos tácitos daquelas já existentes e utilizadas pela comunidade de usuários, gestores e trabalhadores. Inicialmente, discute-se o já estabelecido reconhecimento das tecnologias de informação e comunicação como elemento importante para a educação na saúde, a despeito das dificuldades de sua utilização crítica nos cenários. Em seguida, a partir da perspectiva dos estudos digitais, introduzem-se algumas noções correntes sobre redes sociais, cyber e digital, fenômenos que vão além da adoção de certos dispositivos e tecnologias como mediadores, reconhecendo-os como elemento central de diversos grupos e atividades humanas na cultura contemporânea. Por fim, sugere-se a ampliação da proposta de adoção dessas tecnologias para uma de reconhecimento das plataformas e das mídias digitais e seu uso corrente como ferramentas estratégicas para a gestão da educação e do trabalho na saúde.
Resumo Este artigo descreve as características da oferta de vagas, da estrutura curricular e do perfil de competências de egressos de cursos de graduação em enfermagem, buscando identificar elementos que se aproximam com os pressupostos das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e da atuação profissional do enfermeiro na atenção básica. Aplicando-se um survey por entrevistas telefônicas assistidas por computador com 94 coordenadores de cursos, verificou-se: oferta de formação distante das necessidades nacionais; estrutura curricular centrada em disciplinas fragmentadas nos ciclos básico e profissionalizante, destoando do recomendado pelas DCN; e perfil de competências potente para o desenvolvimento de ações de promoção, prevenção, gerenciamento e técnicas de enfermagem, as quais são previstas no escopo de competências e habilidades gerais preconizadas para o exercício profissional generalista da enfermagem, segundo as DCN, e compatíveis com as principais demandas assistenciais da atenção básica.
Este estudo objetivou identificar elementos da formação médica no Brasil, analisando a proximidade deles com os pressupostos da atuação profissional na Atenção Primária à Saúde e das Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014. Trata-se de estudo descritivo e exploratório, de abordagem qualiquantitativa, operacionalizado em 2015 e 2016, por entrevistas telefônicas e entrevistas in loco com coordenadores/diretores de cursos de graduação em medicina. Os resultados do survey indicam inclinação para uma formação médica generalista, com ênfase na atenção primária, mas que pouco prepara os alunos para o desenvolvimento de ações multiprofissionais. Nas entrevistas presenciais, foram relatadas fragilidades que limitam o desenvolvimento de competências para atuação na atenção primária, como a resistência e o pouco preparo dos docentes, as condições incipientes das unidades básicas, a rotatividade dos profissionais do serviço e a disputa dos cenários entre instituições de ensino públicas e privadas. Os achados indicam o caminho que está sendo desenhado após a implantação das novas diretrizes de medicina, sugerindo não apenas avanços, mas também desafios que precisam ser superados, especialmente em prol do desenvolvimento de competências para o trabalho colaborativo em equipe.
Objetivou-se calcular o índice de rotatividade dos médicos brasileiros. Estudo descritivo, exploratório, quantitativo, realizado por meio de dados secundários, que foram analisados por estatística descritiva. Constatou-se maior índice de rotatividade nas regiões Sudeste e Sul, com médias superiores à nacional (36,7%). A menor média foi evidenciada na região Norte (24,7%). A estratificação por porte populacional aponta para maior rotatividade nos grupamentos de municípios com população entre dez mil e cem mil habitantes; e menor índice nos municípios de grande porte. A rotatividade não pode ser inteiramente compreendida sem que se analise o contexto no qual estão inseridos os profissionais.
Background: The shortage of doctors and their unequal distribution serve as challenges to advancing primary healthcare (PHC) and achieving effective universal healthcare coverage in Brazil. In an effort to use nurses’ potential more efficiently, the country is investigating the introduction of the advanced practice nurse (APN) into PHC. This paper presents a situational analysis of the practices of Brazilian nurses based on the following components: regulation, practice, and education. Methods: This is a national multi-method study with triangulated data from a documentary study, a scoping review, and an exploratory study. The regulation component involved the analysis of official normative documents on the regulation of nursing education and nurses’ scope of practice. The practice component aimed to identify the practices performed by nurses in Brazilian PHC based on primary studies. The education component intended to identify the practices taught in nursing training based on a survey and interviews with directors of undergraduate nursing programs. Results: Federal legislation in Brazil authorizes nursing graduates to perform a set of advanced practices as part of the PHC nurse's daily routine. They can request and interpret complementary tests and prescribe medication. However, in the local context, municipalities define the scope of this assistance based on technical norms or nursing protocols. Furthermore, this study indicates that undergraduate nursing programs do not fully prepare students to adequately execute these tasks. Conclusions: In the context of Brazilian PHC, advanced practices have already been implemented and respond to main healthcare demands. Therefore, it is unnecessary to introduce the APN as a new professional category. Upon detecting deficiencies in the training process, the current education model should undergo reforms that seek to incorporate the skills compatible with the regulated advanced practices and in-service training for practicing nurses. Regarding the introduction of APN along international lines, this article presents recommendations that may support the operationalization of a Brazilian APN model.
Cervical cancer is a public health issue with high disease burden and mortality in Brazil. The objectives of the present study were, firstly, to analyze age, period, and cohort effects on cervical cancer mortality in women 20 years old or older from 1980 to 2019 in the North, South, and Southeast Regions of Brazil; and secondly, to evaluate whether the implementation of a national screening program and the expansion of access to public health services impacted the examined period and reduced the risk of death compared with previous years and among younger cohorts. The effects were estimated by applying Poisson regression models with estimable functions. The highest mortality rate per 100,000 women was found in Amazonas (24.13), and the lowest in São Paulo (10.56). A positive gradient was obtained for death rates as women’s age increased. The states in the most developed regions (South and Southeast) showed a reduction in the risk of death in the period that followed the implementation of the screening program and in the cohort from the 1960s onwards. The North Region showed a decreased risk of death only in Amapá (2000–2004) and Tocantins (1995–2004; 2010–2019). The findings indicate that health inequities remain in Brazil and suggest that the health system has limitations in terms of decreasing mortality associated with this type of cancer in regions of lower socioeconomic development.