Este artigo analisa a neurodiversidade no contexto escolar e discute estratégias pedagógicas viáveis para o trabalho docente em classes heterogêneas. Parte-se da compreensão de que diferenças no neurodesenvolvimento, como as observadas em estudantes autistas, com transtorno do déficit de atenção/hiperatividade, dislexia, dispraxia e outras condições, não podem ser reduzidas a déficits homogêneos. A escola que opera apenas com um aluno padrão tende a converter diferenças de processamento, comunicação, autorregulação e aprendizagem em fracasso escolar, indisciplina ou invisibilidade pedagógica. O estudo adota abordagem bibliográfica e documental, mobilizando literatura científica recente, marcos legais brasileiros e documentos internacionais sobre educação inclusiva. Argumenta-se que a prática do professor ganha consistência quando articula desenho universal para a aprendizagem, previsibilidade da rotina, mediação da linguagem, avaliação flexível, organização sensorial do ambiente e colaboração com a família e a equipe escolar. Em vez de propor intervenções idealizadas ou dependentes de alta especialização clínica, o texto descreve adaptações de baixo custo e alta aplicabilidade que podem ampliar participação, permanência e aprendizagem. A análise sustenta que a inclusão efetiva não decorre de boa vontade genérica, mas de decisões didáticas concretas, monitoradas e ajustadas ao perfil funcional do estudante.